Argentina intervém no câmbio para conter queda do peso

O governo Javier Milei anunciou nova intervenção no mercado de câmbio argentino, utilizando o Tesouro para vender dólares e tentar frear a desvalorização do peso.

De acordo com o Ministério da Economia, a medida busca aumentar a oferta da moeda norte-americana depois de as reservas líquidas terem atingido US$ 7 bilhões (R$ 36,4 bilhões – cotação 18/08/2025) negativos, reacendendo temores de pressão inflacionária.

A decisão contrasta com o discurso ultraliberal do presidente, que havia extinto em abril o “cepo” — limite para compra de dólares — e defendia câmbio totalmente flutuante. Analistas ouvidos pelo g1 acreditam que a escalada do dólar paralelo, somada a juros altos e incertezas políticas, elevou o risco de uma nova espiral de preços às vésperas das eleições na província de Buenos Aires.

O escândalo de corrupção envolvendo a secretária-geral Karina Milei e a perda de popularidade do governo também pesaram. A saída de capital estrangeiro diminuiu a oferta de dólares, forçando o Executivo a atuar para evitar fuga generalizada.

Além da venda direta de reservas, o Banco Central proibiu bancos de ampliar posição cambial no último dia útil de cada mês. Segundo o secretário do Tesouro, Luis Caputo, as ações permanecerão “até que a volatilidade recue”, sem prazo definido.

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Imagem: Gustavo Garello

Impactos e próximos passos

No curto prazo, a intervenção tende a aliviar a cotação do dólar, mas economistas alertam que o efeito pode ser temporário se não houver avanço na disciplina fiscal e recomposição das reservas. O mercado acompanhará o resultado das eleições de 7 de setembro, visto como termômetro do apoio político às reformas de Milei.

O FMI deve enviar missão a Buenos Aires ainda este mês para revisar o acordo de US$ 44 bilhões e exige redução do déficit primário e acúmulo de reservas — metas mais difíceis se o governo continuar queimando dólares. Para mais informações sobre tecnologia, confira nosso site.

Fonte: g1

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