O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o Brasil não tem pressa para aplicar medidas de reciprocidade contra os Estados Unidos pela nova tarifa imposta a produtos nacionais.
Em entrevista à Rádio Itatiaia, Lula disse que seu governo ainda busca uma solução negociada antes de adotar qualquer sanção. Segundo o presidente, a Casa Branca “não demonstra disposição” para discutir a taxação, mas o Palácio do Planalto continuará insistindo no diálogo diplomático.
Na quinta-feira, o Ministério das Relações Exteriores solicitou que a Câmara de Comércio Exterior avalie se o país deve acionar a chamada Lei de Reciprocidade Econômica, dispositivo que permite retaliar parceiros comerciais que elevam tarifas de maneira considerada injustificada. Caso a medida avance, o Brasil poderá sobretaxar itens norte-americanos — o que, para Lula, deve ocorrer “sem precipitação e de forma técnica”.
Lula reforçou a necessidade de proteger a indústria nacional e apareceu usando um boné com as cores da bandeira brasileira, reiterando o tom nacionalista que marcou sua recente participação em eventos públicos. Ele também lembrou que o país está aberto a investir em parcerias tecnológicas, mas exige tratamento equilibrado nos acordos comerciais.
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Próximos passos
A Camex deve apresentar nas próximas semanas um parecer sobre a viabilidade de retaliação. Caso a reciprocidade seja aprovada, caberá ao Ministério da Fazenda definir alíquotas e setores atingidos, sempre alinhado às regras da Organização Mundial do Comércio (OMC).
Embora não tenha citado números, integrantes da equipe econômica estimam que o impacto potencial da tarifa norte-americana pode alcançar bilhões de reais em exportações brasileiras, pressionando setores como o de aço e alumínio. O Planalto, porém, sinaliza que a resposta brasileira será calibrada para evitar escalada que prejudique relações bilaterais estratégicas.
Fonte: G1